terça-feira, 10 de março de 2009

Geração Y wants to rule the world

Esse post foi inspirado primeiro pelo meu interesse no tema e segundo por um blog que me indicaram no trabalho e eu adorei! (Meus apelos estão sendo atendidos...)

Sim, eu sou geração Y com muito orgulho.
Quando comecei a ler matérias sobre esse assunto, me identifiquei com a maioria das características citadas e passei a procurar mais e mais. Para quem está entrando no mercado de trabalho percebi que é importante conhecer o que falam sobre minha geração para saber como potencializar as qualidades e também criar argumentos para confrontar as desvantagens.

Em certos textos que leio, percebo um tom de medo, que acho no mínimo hilário. Algumas pessoas acreditam que a geração Y vem para acabar com as tradições, são ousados demais ou pior, não vamos obedecer ordens! Certa vez eu li uma frase que dizia: “Diga o que o geração Y precisa fazer, mas não tente lhe dizer como”. Esse temor de que os geração Y podem se rebelar é totalmente sem fundamento (embora nos confira certo poder, não?), afinal somos da geração despolitizada, descentralizada, individualista e enfraquecidos emocionalmente – mamãe sempre trabalhou fora.

Um outro aspecto que ainda não vi ninguém comentar é que a Geração Y tem uma subdivisão, os nascidos antes de 1990 e os nascidos depois. Essa divisão é relevante porque ambos conhecem msn, iphone, windows e youtube, mas só os nascidos antes de 1990 conhecem o vinil, a fita cassete, limparam o cabeçote do vídeo, pularam amarelinha, elástico e usaram kichute.

A primeira metade da geração Y é muito mais nostálgica e ainda conserva alguns valores mais tradicionais, já que aprendeu a fazer pesquisas na Barsa. A internet só chegou para nós a partir dos 7, 8 anos de idade. Nossa formação escolar ainda era baseada em livro-quadro-professor. E aja caderno de caligrafia! Quando o pessoal da segunda leva nasceu, todo mundo ficou sabendo pelo celular, seus primeiros brinquedos foram o super Nintendo e os Cds da Xuxa (o vinil já tinha ido pro saco), já existia aula de informática nas creches e a caligrafia...passou longe dos dedinhos rápidos que conversavam pelos programas de mensagem instantânea e faziam pesquisas baseadas no Google.

Estou dando foco na questão educacional porque percebo uma diferença gritante entre esses grupos. Os adolescentes de hoje – até 16 anos – escrevem muito mal. Eles desconhecem fontes de pesquisa que não sejam a internet, incorporaram linguagens virtuais à sua escrita manual e levam os mesmos erros de digitação para o papel, simplesmente porque foram muito mais expostos à leitura interativa do que à leitura tradicional. Em compensação eles têm o raciocínio muito mais rápido e lógico, encontram qualquer informação em segundos e, enquanto a geração Y pré-1990 faz 6 tarefas ao mesmo tempo, a geração Y pós-1990 faz 12.


O que o mercado fala


Algumas características da Geração Y comentadas:

- “Diga o que o geração Y precisa fazer, mas não tente lhe dizer como”: Não somos rebeldes sem causa, mas preferimos tentar nossos métodos primeiro. Se o resultado não for o esperado, uma crítica construtiva é sempre bemvinda.

- “Geração Y não gosta de longo prazo”: essa é verdadeira. Trabalhos muito demorados com resultados pouco visíveis nos deixam desanimados pela falta de “emoção”. Fomos criados passando de fases em video games, fazendo 3 cursos ao mesmo tempo e sendo bombardeados por informações 24h. Deixar um estagiário de 20 anos fazendo planilha de estoque é o fim do mundo.

- “Geração Y não veste a camisa”: essa história de que não somos comprometidos é falsa. Enquanto estivermos na empresa, vestiremos a camisa, faremos nossas tarefas e vamos alcançar o resultado esperado. O problema é que não temos expectativas de passar a vida inteira em uma mesma companhia. Somos dinâmicos demais e isso pode ser comentado no próximo tópico.

- “Geração Y quer qualidade de vida”: sim sim sim! Pra nós não existe fazer hora extra. Nós entramos, fazemos nosso trabalho muito bem e saímos. Na nossa cabeça é assim que sempre deveria ter sido. Fora do trabalho temos muitos outros interesses, queremos aproveitar a vida e não ficar como nossos pais, escravos do trabalho 14h por dia até a velhice.

- “Geração Y detesta tradições”: Não concordo. Somos ousados, temos novas idéias, mas não queremos reinventar o mundo. Talvez melhorá-lo à nossa maneira, mas qualquer pessoa educada, geração Y ou não, consegue se adequar à tradições, hierarquias e aprende a se impor de forma polida e construtiva.

- “Geração Y é multitarefas”: Totalmente correta. Me coloco nesse exemplo: fico eufórica quando tenho mil coisas para fazer no trabalho. E ainda com o gmail aberto para me manter atualizada das notícias e dos amigos.

Como consigo fazer tudo isso sem perder qualidade? Só sendo um Geração Y para entender.

5 comentários:

  1. Eu não conhecia essa classificação, até ser apresentada por você...Podemos ser a geração Y, mas os que chegam agora aos 10, como a minha irmã, terão características mais impressionantes que as nossas rs É estranho ser rotulada assim, as pessoas são bem diferentes entre si apesar de termos infâncias em comum. Quando você fala em nostalgia...acho que toda geração deve sentir, só temos que dar o tempo de sentir falta.

    O que me faz pensar sobre as crianças que crescem muito rápido - e na verdade no futuro não têm o que sentir falta porque foi um período muito curto. Ao serem introduzidas na lógica da vida adulta cedo, elas acabam não lembrando daquele tempo mágico e de brincadeiras.

    Gostei desse texto. Achei bem dinâmico e construído =D

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  2. Eu achava que era Geração X... Achava que tinha poderes e que seria um Kurt Cobain sem drogas no futuro... Mas você acabou de destruir isso tudo. Odiei me ver nessa geração... Mas é a realidade. Bom, lembrei-me do nosso querido ICQ! Um programa mensageiro que já é passado e nostálgico. Mas é verdade, a geração Y parece correr atrás de seus sonhos... geração de autonomia será? Pois bem, odeio falar como se fossemos ovelhas no mesmo rebanho. Porque se fosse assim, não teríamos as mesmas guerras de sempre com os mesmos Deuses envolvidos. Apesar da internet, essa tal religião ainda atrasa os avanços de nós mesmos. Qual é o email de Deus? Quero fazer uma reclamação pra ele.
    beijos Lili! Seus textos são sempre inspiradores!

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  3. Eu nao conhecia seu blog!
    graças ao twitter achei isso aqui.
    Já pensei muito nisso de geração... e é fato que está completamente dividida entre pré e pos 90! enquanto via meus primos de 8 anos com celular lembrei que aos 8 mal usava o telefone de casa.
    álias na minha casa *eu moro na roça* telefone só em 1996, quando eu já tinha 7 anos!
    hoje em dia em qualquer fim do mundo já existe banda larga.

    Lili sobre seu pedido atendido veja o blog da Luise uma caloura do periodo passado, eu me divirto com os posts dela
    http://nudou.blogspot.com/

    bjs

    um dia quem sabe começo a difundir meus pensamentos e entro pros blogs felizes q vc tanto procura!

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  4. Caraca... pior que esses dias eu tava pensando sobre essa história de Geração Y...
    Tava fazendo umas conexões com as músicas "My Generation", do The Who e "Ideologia" do Cazuza...

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  5. Bom, sem dúvidas o texto muito bem escrito e argumentado coerentemente.
    Mas sou contrário a divisões e generalizações de toda uma geração, o mkt faz muito isso segmentando e segmentando as pessoas, cuidado ao se classificar em X,Y,Z logicamente vários pontos são acertados do perfil, e muitos são coincidentes ao meu,sou de 82, agora isso é bem válido quando se fala de jovens de classe média, no mínimo.
    E por ai vai somando-se outros fatores psicodemográficos, sociais e econômicos que influenciam muito no comportamento dos jovens e gerentes de hoje.
    Vale a leitura, parabéns pela escrita.
    bernardo oliveira.

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